4–7 de agosto de 2026
Buenos Aires
America/Argentina/Buenos_Aires zona horaria

Mulheres na engenharia: a relação com o saber de estudantes universitárias

No programado
20m
Buenos Aires

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Estudiantes universitarios: participación política, experiencias y trayectorias académicas, inserción laboral

Descripción

O Brasil viveu nas últimas décadas um processo de expansão e reestruturação universitária, alterando significativamente o público estudantil nesse nível de ensino. Todavia, a expansão do acesso não eliminou a influência de marcadores sociais como raça, gênero e classe nas trajetórias escolares e nos processos de orientação profissional, os quais permanecem segmentados por critérios de prestígio e seletividade. Nesse contexto, este trabalho apresenta resultados parciais de pesquisa de doutorado que investiga a relação com o saber de estudantes de engenharia em duas universidades públicas federais, no estado de Minas Gerais. A escolha pelo campo das engenharias justifica-se por se tratar de um curso historicamente elitizado e de forte tradição institucional uma vez que sua criação remonta à formação das elites no período do Império do Brasil. Contemporaneamente, o curso manteve como público majoritário os estudantes de origem mais favorecida, além da persistente sub-representação feminina. A categoria relação com o saber apoia-se no constructo de Bernard Charlot para quem a relação com o saber remete a um sujeito singular, humano e social e é construída na relação consigo, com os outros e com o objeto de saber. Compõem o corpus da pesquisa, 105 estudantes do sexo feminino que responderam ao Inventário de Saber, instrumento de coleta de dados. Os resultados evidenciam a prevalência de uma Relação Escolar com o Saber, caracterizada pela valorização do saber escolar e acadêmico. Paralelamente, também se identificou uma significativa Relação Existencial com o Saber, se encaixando nessa categoria as respostas cuja noção de aprender se relaciona à ideia de desenvolvimento pessoal, relacional, compreendendo uma concepção de aprender que deve ser acompanhada por uma transformação subjetiva. No âmbito dos processos de aprendizagem, sobressai a categoria Aprendizagem de Si e do Outro o que evidencia que as aprendizagens que permitem um desenvolvimento e amadurecimento pessoal, a conexão com o outro tem forte relevância para o grupo feminino, para além da construção de conhecimento acadêmico. Quanto às razões para as escolhas do curso, as respostas convergem para uma Moral Edificante uma vez que carreira e estabilidade financeira devem se articular ao gosto pela área e precisam proporcionar além de uma profissão, um retorno pessoal e social. Em síntese, os dados sinalizam a atualização de um habitus feminino que modula a experiência universitária, articulando-se na relação com o saber, na escolha da carreira e na perspectiva de inserção profissional. As estudantes percebem as assimetrias de gênero, mas tendem a respondê-las por meio de um discurso meritocrático e de um esforço acadêmico compensatório. O empenho na atividade acadêmica e intelectual é, portanto, ressignificada como um gesto de superação e resignação, visando à preservação da autoimagem em um campo majoritariamente masculino.

Palabras clave:

Relações Sociais de Gênero; Engenharias; Relação com o Saber.

Autores

Alice Cristina Figueiredo (Universidade Federal de Itajubá) Sra. Cibele Noronha de Carvalho (Universidade Federal de Minas Gerais) Sr. Maria Amália de Almeida Cunha

Materiales de la presentación