Descripción
O presente trabalho insere-se no campo da educação inclusiva, com foco nas relações estabelecidas entre universidade e escola na constituição de espaços reflexivos com monitoras da Educação Infantil. Vincula-se ao Projeto de Extensão Coletivo Fluir: Territórios Educativos Intersetoriais de ações e políticas em defesa das crianças em contextos vulneráveis, desenvolvido por uma instituição de ensino superior em parceria com uma escola da rede municipal. A pesquisa emerge de inquietações oriundas da prática docente na Educação Infantil, especialmente no que se refere à atuação das monitoras no cotidiano escolar e ao reconhecimento de seu papel nos processos educativos inclusivos. Nesse contexto, parte-se da seguinte questão: de que forma é possível favorecer processos formativos que reconheçam as monitoras como sujeitas educativas, valorizando seus saberes e fortalecendo sua atuação junto às crianças? O objetivo do estudo consistiu em analisar espaços reflexivos constituídos na relação universidade-escola, voltados à formação de monitoras da Educação Infantil, com vistas à qualificação de práticas inclusivas. O referencial teórico fundamenta-se nos pressupostos de Paulo Freire, compreendendo todos os sujeitos como educadores e valorizando o diálogo, a escuta e a construção coletiva do conhecimento. Metodologicamente, trata-se de uma pesquisa qualitativa, ancorada na perspectiva do artesanato intelectual de C. Wright Mills, que articula pensamento, experiência e prática na produção do conhecimento. A investigação foi desenvolvida em uma escola da rede municipal de ensino, com a participação de dez monitoras. O percurso investigativo configurou-se como pesquisa-intervenção-formação, por meio da proposição de Territórios Educativos Intersetoriais (TEI), realizados quinzenalmente, totalizando oito encontros formativos. Como materialidade desse processo, foi construído coletivamente um scrapbook formativo, registrando experiências, reflexões e aprendizagens. A análise dos dados organizou-se em quatro categorias: caracterização das monitoras, percepções sobre sua atuação, desafios e demandas formativas e o TEI como movimento formativo. Os resultados evidenciam que os espaços reflexivos possibilitaram às monitoras ampliar a compreensão sobre seu papel educativo, deslocando-se de uma perspectiva centrada predominantemente no cuidado e no afeto para uma visão que integra intencionalidade pedagógica, desenvolvimento e aprendizagem das crianças. Além disso, houve fortalecimento de sua identidade como sujeitas educadoras e ampliação das compreensões acerca da inclusão na Educação Infantil. Conclui-se que a articulação entre universidade e escola, por meio de espaços formativos dialógicos e intersetoriais, constitui-se como potente estratégia para a valorização das monitoras e para a qualificação das práticas inclusivas no contexto da Educação Infantil.
Palabras clave:
INCLUSÃO ESCOLAR, EDUCAÇÃO INFANTIL, FORMAÇÃO DE MONITORAS, RELAÇÃO UNIVERSIDADE-ESCOLA.