4–7 de agosto de 2026
Buenos Aires
America/Argentina/Buenos_Aires zona horaria

A universidade na pandemia como objeto de pesquisa: um estudo comparado entre Brasil (SciELO) e Argentina (RAES)

No programado
20m
Buenos Aires

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Investigación en la universidad: construcción, cooperación regional e internacional, transferencia y divulgación de conocimientos

Descripción

Este trabalho apresenta um estudo comparado da produção acadêmica sobre a universidade na pandemia no Brasil e na Argentina, com o objetivo de identificar convergências e divergências nas agendas de pesquisa, nas abordagens metodológicas e nos silêncios estruturais de cada campo nacional. O marco teórico fundamenta-se em Pierre Bourdieu, particularmente em suas categorias de campo científico, habitus e capital, que permitem interrogar as condições sociais de produção do conhecimento sobre a educação superior em contextos de crise. O corpus brasileiro compõe-se de 12 artigos indexados na SciELO (2020-2025), selecionados com os descritores "(pandemia OR covid-19) AND (ensino superior OR universidade)" e analisados em três níveis: temático, metodológico e posicional (via currículos Lattes). Os resultados revelam uma forte concentração em ensino remoto (33,3%) e saúde mental (33,3%), assim como silêncios estruturais sobre a voz estudantil (91,7%), a interseccionalidade (83,3%) e os conflitos orçamentários (75%). A fragmentação disciplinar produz visões parcelares da crise, enquanto o capital científico se concentra em universidades federais de elite (91,7%) e autores com doutorado no exterior (58,3%). O corpus argentino é constituído por 18 artigos publicados entre 2020 e 2025 na Revista Argentina de Educación Superior (RAES) — periódico vinculado aos Encontros "A universidade como objeto de pesquisa" —, selecionados por conterem o termo "pandemia" no título, resumo ou por abordarem diretamente seus efeitos. A análise temática revela uma distribuição que, embora mais diversa que a brasileira, pode ser agregada em quatro grandes eixos para fins comparativos. O primeiro eixo, trabalho docente e condições de ensino (44,4%), concentra estudos sobre a virtualização forçada, as transformações nas práticas pedagógicas e os impactos na saúde e na jornada dos professores. O segundo eixo, inclusão, acessibilidade e acompanhamento estudantil (27,8%), reúne pesquisas sobre estudantes com deficiência, políticas de acessibilidade e programas de tutoria. O terceiro eixo, políticas, gestão e prospectiva institucional (22,2%), abrange reflexões sobre o futuro da universidade, internacionalização em regiões de fronteira e inovações curriculares. Por fim, o eixo perspectiva estudantil (5,5%), embora incipiente, merece destaque por ser o único a escutar os estudantes como sujeitos narrativos — um silêncio que, no Brasil, atinge 91,7% dos artigos. Diferentemente do caso brasileiro, observa-se uma presença significativa de estudos sobre acessibilidade e deficiência e um maior equilíbrio metodológico. No entanto, persistem silêncios análogos: a voz estudantil como sujeito narrativo continua marginal (apenas 5,5%), os conflitos orçamentários aparecem apenas tangencialmente e a interseccionalidade permanece ausente. A comparação sugere que, embora os campos nacionais operem com lógicas específicas — maior fragmentação disciplinar no Brasil, maior diálogo com políticas públicas e diversidade temática na Argentina —, ambos tendem a silenciar dimensões estruturais da crise que a pandemia evidenciou. Este estudo contribui para a reflexividade crítica sobre a pesquisa universitária na América Latina e para o fortalecimento do diálogo acadêmico regional.

Palabras clave:

UNIVERSIDADE, PANDEMIA, CAMPO CIENTÍFICO, BRASIL, ARGENTINA.

Autores

Adriana de Sousa Lima (Universidade Estadual do Oeste do Paraná - Unioeste) Prof. Amanda Moreira da Silva (Universidade do Estado do Rio de Janeiro - UERJ) Prof. Regina Coeli Machado e Silva (Universidade Estadual do Oeste do Paraná - Unioeste)

Materiales de la presentación