Descripción
Esta pesquisa tem como temática o espaço laboral ocupado por servidores negros nas Instituições Federais de Ensino Superior (IFES) e nas entidades sindicais representativas brasileiras, considerando aspectos como formação acadêmica, tempo de serviço e trajetória profissional. O estudo busca refletir sobre as oportunidades de ascensão na carreira e o acesso desses servidores a cargos de gestão e liderança nas IFES, bem como em espaços de representação política e institucional vinculados ao movimento sindical.
A relevância da investigação fundamenta-se no fato de que a população negra no Brasil enfrenta, desde o período colonial, uma trajetória histórica marcada pela escravidão e por profundas desigualdades estruturais. Mesmo após a abolição formal da escravatura, em 1888, persistiram mecanismos sociais, políticos e institucionais que contribuíram para a manutenção de processos de exclusão e marginalização. Esses processos históricos repercutem até os dias atuais, manifestando-se em diferentes dimensões da vida social e institucional, especialmente na limitada presença de pessoas negras em posições de liderança, poder e tomada de decisão.
Nesse contexto, o critério da cor da pele assume significativa relevância social na sociedade brasileira. Os processos de avaliação e reconhecimento social do indivíduo, em diversas circunstâncias de sua trajetória, muitas vezes são influenciados por aspectos relacionados à aparência física. Elementos como vestimenta, postura, cor da pele e características como cabelo tornam-se objetos de julgamentos subjetivos, frequentemente automáticos, que influenciam percepções sociais, oportunidades profissionais e relações institucionais.
Historicamente, se durante o período escravocrata a distinção entre brancos e negros estava diretamente vinculada à estrutura da escravidão, posteriormente foram construídos novos discursos destinados a sustentar a diferenciação social, muitas vezes fundamentados em concepções pseudocientíficas de natureza biológica. Tais argumentos contribuíram para legitimar desigualdades raciais e reforçar hierarquias sociais que ainda se manifestam nas instituições contemporâneas.
Diante desse cenário, esta pesquisa tem como objetivo analisar e fortalecer estratégias voltadas ao desenvolvimento de lideranças negras para a ocupação de posições estratégicas nas Instituições Federais de Ensino Superior brasileiras, assim como no movimento sindical, compreendido como um espaço de representação política e institucional dos servidores docentes e técnico-administrativos em educação. Tal perspectiva apresenta-se como uma possibilidade de enfrentamento das desigualdades raciais historicamente estruturadas, contribuindo para ampliar a representatividade e a participação da população negra nos processos decisórios dessas instituições.
Metodologicamente, trata-se de uma pesquisa de natureza qualitativa, conforme a perspectiva de Triviños (1987), fundamentada em um estudo exploratório com abordagem de estado do conhecimento, conforme proposto por Morosini, Kohls-Santos e Bittencourt (2021). A investigação foi realizada na Biblioteca Digital de Teses e Dissertações (BDTD), considerando produções acadêmicas publicadas no período de 2020 a 2025, com o objetivo de identificar e compreender as principais contribuições científicas relacionadas à temática da pesquisa.
Parte-se do pressuposto de que, ao investigar as barreiras institucionais, as políticas de inclusão e as experiências de protagonismo negro no serviço público e no movimento sindical, busca-se contribuir para o enfrentamento das opressões raciais presentes na sociedade brasileira, promovendo maior equidade, representatividade e transformação institucional.
Palabras clave:
Educação Superior. Gestão da Educação. Lideranças Negras. Servidores Públicos.