Descripción
A ação Com(Vivências) constitui-se como uma iniciativa formativa desenvolvida por bolsistas vinculadas ao projeto de extensão Coletivo Fluir: territórios educativos intersetoriais de ações e políticas em defesa das crianças em contextos vulneráveis, da Universidade Federal de Santa Maria, emergindo da necessidade de criar espaços coletivos de estudo, reflexão e elaboração das experiências vividas por estudantes nas atividades extensionistas junto às comunidades e espaços educativos atendidos pelo projeto. Este trabalho tem como objetivo analisar as rodas de leitura como dispositivo formativo voltado ao fortalecimento do protagonismo estudantil e à articulação entre teoria e prática na extensão universitária. Ancorada em perspectivas críticas da formação acadêmica e da extensão como prática dialógica, a proposta compreende a formação universitária como um processo coletivo, situado e atravessado pelas vivências nos territórios educativos. A ação foi organizada por meio de rodas de leitura e diálogo que promoveram reflexões compartilhadas sobre infâncias, territórios e sentidos das práticas extensionistas, valorizando a escuta, o encontro e a circulação de saberes como dimensões centrais do processo formativo. Metodologicamente, a experiência ocorreu em quatro encontros realizados no final do ano de 2025, na sala do Coletivo Fluir, localizada no Centro de Educação da Universidade Federal de Santa Maria(UFSM), configurando um espaço de convivência e interação. Como disparador das discussões, utilizou-se o livro Desemparedamento da Infância: A Escola como Lugar de Encontro com a Natureza, publicado pelo programa Criança e Natureza do Instituto Alana (2018), cuja abordagem problematiza os limites físicos e simbólicos impostos às infâncias e propõe ampliar os espaços educativos para além dos muros escolares, perspectiva alinhada à compreensão dos territórios como espaços de aprendizagem, convivência e produção de saberes. Durante os encontros, as discussões sobre natureza mobilizaram memórias afetivas das participantes relacionadas às experiências de infância, como o brincar na rua, no campo, nas casas de familiares e nas vivências compartilhadas com primos e amigos, possibilitando reflexões acerca do pertencimento humano à natureza e da compreensão de que os seres humanos constituem-se como parte integrante dela. Como desdobramento dessas reflexões, foi realizado um exercício de deslocamento para além da sala, no qual o grupo explorou áreas externas do Centro de Educação, observando elementos naturais, animais e espaços cotidianos frequentemente atravessados sem atenção aos seus detalhes, promovendo uma experiência de sensibilização e reconexão com o ambiente. Ao longo do processo, as bolsistas compartilharam experiências extensionistas, dialogaram com os conceitos da obra e refletiram sobre as relações entre suas práticas e a proposta de desemparedamento das infâncias. Os resultados indicam que a leitura coletiva, associada a experiências sensíveis e corporificadas no território, favorece processos de reflexão crítica, elaboração compartilhada de conhecimentos e fortalecimento da autonomia estudantil. Evidenciou-se, ainda, que iniciativas formativas conduzidas por estudantes no interior da extensão ampliam os sentidos da formação acadêmica ao promover participação ativa na produção de saberes e na mediação entre universidade e sociedade, reafirmando o papel da universidade pública na construção de práticas comprometidas com as infâncias e com territórios mais abertos e integrados à vida cotidiana e a natureza.
PALAVRAS-CHAVE: EXTENSÃO UNIVERSITÁRIA, NATUREZA, EDUCAÇÃO.
Palabras clave:
EXTENSÃO UNIVERSITÁRIA, NATUREZA, EDUCAÇÃO.