Descripción
O presente estudo está vinculado aos Grupos de Pesquisa ELOS do Programa de Pós-graduação em Educação da Universidade Federal de Santa Maria e GEPE da Faculdade Antonio Meneghetti. A curricularização da extensão universitária configura-se como uma das mais relevantes transformações recentes nas políticas de educação superior no Brasil, ao reposicionar a extensão como dimensão estruturante da formação acadêmica e da relação entre universidade e sociedade. Instituída pela Resolução nº 7/2018 do Conselho Nacional de Educação (Brasil, 2018), essa política estabelece a obrigatoriedade de que, no mínimo, 10% da carga horária dos cursos de graduação seja composta por atividades de extensão integradas ao currículo, promovendo a articulação entre ensino, pesquisa e intervenção social. Este trabalho tem como objetivo analisar a curricularização da extensão enquanto política pública educacional, considerando seus fundamentos, diretrizes e implicações para a vinculação da universidade com o território. A partir de uma abordagem qualitativa e de natureza teórico-analítica, discute-se como a política e a Resolução nº 7/2018 (Brasil, 2018), se insere nos territórios (Haesbaert, 2004) e no contexto mais amplo das transformações da educação superior, marcado por tensões entre demandas de mercado e a defesa da universidade como bem público, conforme problematizado por Boaventura de Sousa Santos (ANO). Nesse cenário, a extensão curricular emerge como estratégia de resistência e inovação, ao fortalecer práticas formativas comprometidas com a transformação social. A análise evidencia que a curricularização da extensão promove uma reconfiguração dos processos pedagógicos, ao exigir a incorporação de experiências formativas situadas, desenvolvidas em diálogo com diferentes atores sociais, como comunidades, movimentos sociais, escolas e instituições públicas. Tal perspectiva desloca a lógica tradicional de transmissão de conhecimento, valorizando processos de coprodução e coconstrução de saberes, nos quais o conhecimento acadêmico se articula com saberes populares e territoriais. Essa dinâmica contribui para a formação de estudantes mais críticos, sensíveis às realidades sociais e capazes de atuar em contextos complexos e diversos. Além disso, destaca-se que a implementação dessa política enfrenta desafios significativos, como a necessidade de reorganização curricular, a formação docente para atuação extensionista e a superação de uma cultura institucional que historicamente marginalizou a extensão em relação ao ensino e à pesquisa. Ainda assim, observa-se que a curricularização da extensão potencializa a construção de redes colaborativas e o fortalecimento de políticas públicas orientadas ao desenvolvimento social, ao mesmo tempo em que amplia a presença da universidade nos territórios (Haesbaert, 2004), e sua capacidade de resposta às demandas sociais. Conclui-se que a curricularização da extensão, ao institucionalizar a vinculação entre universidade e sociedade no currículo, constitui-se como uma política estratégica para a democratização do ensino superior e para a produção de conhecimento socialmente relevante. Nesse sentido, reafirma-se a importância de consolidar práticas extensionistas críticas, dialógicas e territorialmente comprometidas, capazes de contribuir para a construção de uma universidade mais inclusiva, socialmente referenciada e comprometida com os desafios contemporâneos.
Palabras clave:
Extensão Universitária; Políticas Públicas Educacionais; Território.