Descripción
Este trabalho apresenta reflexões produzidas a partir da experiência do projeto de extensão Coletivo Fluir: Territórios Educativos Intersetoriais de Ações e Políticas em Defesa das Crianças em Contextos Vulneráveis, desenvolvido pela Universidade Federal de Santa Maria em articulação com escolas da rede pública de Santa Maria e os diferentes atores sociais que compõem esse território. A proposta analisa como a extensão universitária pode se constituir como meio de vinculação entre a universidade e comunidade, produzindo encontros formativos entre docentes universitários, estudantes de graduação e pós-graduação, professoras da educação básica, gestores escolares e profissionais de outras áreas que atuam com crianças e famílias. Trata-se de uma ação interdisciplinar, que reúne profissionais da Pedagogia, Psicologia, Educação Especial, Teatro, Arquitetura, entre outros. O foco aqui é a experiência dos Territórios Educativos Intersetoriais (TEIs), atividades da ação-extensionista que operam a partir da construção coletiva de práticas educativas situadas, nas quais a escola não aparece apenas como campo de aplicação de conhecimentos acadêmicos, mas como lugar de produção de saberes e de problematização das práticas pedagógicas. A partir de encontros, conversas, momentos de interação, reuniões, planejamento, disciplina na universidade e ações realizadas nas escolas, os TEIs possibilitam a constituição de espaços compartilhados de formação inicial e continuada, nos quais ensino, pesquisa e extensão se entrelaçam na produção de conhecimentos comprometidos com as realidades educacionais. Nesse movimento, estudantes de graduação e pós-graduação passam a participar de processos formativos que acontecem em diálogo direto com professoras da educação básica, produzindo deslocamentos nas formas de compreender a formação docente e ampliando as possibilidades de construção coletiva de práticas pedagógicas. Ao mesmo tempo, professoras das escolas participam da elaboração e problematização das ações extensionistas, contribuindo com suas experiências e saberes produzidos no cotidiano escolar. O trabalho destaca, especialmente, as ações desenvolvidas no âmbito do TEI 1- Crianças, famílias, escola, comunidade local e TEI 2 – Formação da Comunidade Escolar, os quais tem se constituído como espaço privilegiado de articulação entre universidade e escolas, com ênfase nas discussões sobre práticas pedagógicas, inclusão escolar, acolhimento e fortalecimento docente. As ações estão comprometidas com a produção de uma escola que reconheça a diferença como dimensão constitutiva da vida coletiva. Metodologicamente, o estudo se apoia em uma perspectiva analítica, tomando como material de reflexão registros das ações extensionistas, encontros formativos, reuniões de planejamento e experiências compartilhadas entre universidade e escola. A análise busca compreender como essas experiências produzem outras formas de relação entre universidade e comunidade, deslocando modelos hierárquicos de produção do conhecimento e apostando em práticas colaborativas que reconhecem os diferentes territórios educativos como espaços legítimos de formação e criação pedagógica. Ao evidenciar as tramas que se produzem nesses encontros, o trabalho problematiza o papel da extensão universitária como dimensão constitutiva da formação acadêmica e como prática política que contribui para fortalecer vínculos entre universidade, escolas e comunidades, ampliando as possibilidades de construção coletiva de respostas aos desafios contemporâneos da educação.
Palabras clave:
EXTENSÃO UNIVERSITÁRIA, FORMAÇÃO DOCENTE, TERRITÓRIOS EDUCATIVOS INTERSETORIAIS.