Descripción
Esta investigação está vinculada ao Curso de Licenciatura Plena em Pedagogia, da Antonio Meneghetti Faculdade, e relata as práticas pedagógicas realizadas na disciplina Estágio IV - Instituição Não Escolar, considerando o campo das Artes e suas diferentes materialidades. O ensino das Artes é compreendido como uma importante potencialidade de desenvolvimento humano, no sentido crítico, ao estimular a capacidade de opinar, pensar e indagar; no sentido motor, ao aprimorar a motricidade fina e ampla; e no sentido estético, ao favorecer a criatividade e a expressão (Brasil, 2018; Godoy, 1999), além de seu impacto cultural, no qual o pedagogo exerce papel fundamental (Lima, 2020). O objetivo deste trabalho foi analisar a importância e os efeitos das metodologias artísticas na formação humana, especialmente no contexto da inclusão, considerando os projetos desenvolvidos em uma instituição não escolar e a atuação do pedagogo nesse espaço. O público-alvo foi constituído por participantes de projetos voltados à Educação Especial e às situações de vulnerabilidade social. A pesquisa foi realizada por meio de uma abordagem qualitativa, tendo como método o estudo de caso (Lüdke; André, 1986), sendo caracterizada como exploratória e descritiva. Como instrumentos de coleta de dados, utilizaram-se a observação in loco, a participação dos sujeitos nas atividades propostas pela instituição e pela professora estagiária, além de entrevistas com as responsáveis, possibilitando reflexões acerca das práticas e das metodologias vinculadas ao universo das Artes. Durante as observações, evidenciou-se o interesse dos participantes pelas produções artísticas, sendo utilizados tanto materiais convencionais, como folhas e tintas, quanto materiais diversificados, como miçangas, gravetos, sementes e tecidos, ampliando as possibilidades de criação. As intervenções foram planejadas de forma afetiva e significativa, buscando estabelecer relações com a realidade dos participantes e com elementos presentes em seu cotidiano. No decorrer do processo criativo, destacou-se o trabalho em equipe e a colaboração entre os sujeitos, uma vez que aqueles com menores dificuldades auxiliaram espontaneamente os demais, promovendo um ambiente seguro, acolhedor e propício para trocas significativas, marcado pela empatia e pela descontração. Além disso, foram compartilhados relatos de vida, o que contribuiu para uma compreensão mais aprofundada das histórias, vivências e subjetividades dos participantes. Diante disso, conclui-se que as práticas artísticas, aliadas às entrevistas, evidenciaram resultados positivos, contribuindo para o desenvolvimento cognitivo, físico e socioemocional dos sujeitos. A ludicidade e o uso de diferentes materialidades permitiram a expressão de vivências e o fortalecimento do reconhecimento de si no grupo, evidenciando que, apesar das vulnerabilidades e da necessidade de assistência, esses fatores não determinam a identidade dos indivíduos. Os processos artísticos mostraram-se formativos tanto para o público-alvo, por seu caráter inclusivo, quanto para os estagiários, ao ampliar a compreensão sobre a atuação do pedagogo em contextos não escolares. A prática também evidenciou que a sociedade ainda mantém visões limitadas, marcadas por rótulos como incapazes e insuficientes, entretanto, os sujeitos demonstraram possuir potencialidades que superam tais concepções, reforçando que a Arte se constitui como um caminho potente para a construção de uma sociedade mais inclusiva, sensível e humana.
Palabras clave:
Arte e Materialidade. Formação humana. Inclusão.