Descripción
O presente trabalho apresenta reflexões a partir de uma experiência desenvolvida no âmbito do Projeto de Extensão Coletivo Fluir: Territórios Educativos Intersetoriais de Ações e Políticas em Defesa das Crianças em Contextos Vulneráveis, da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). As ações foram desenvolvidas no Território Educativo Intersetorial 2 (TEI 2) – voltado à formação da comunidade escolar. A pesquisa, de abordagem qualitativa, foi desenvolvida por meio de observação participante, registros em diários de campo, fotografias e produções escritas de professoras, buscando analisar como a organização coletiva de tempos, espaços e práticas pedagógicas pode tensionar concepções tradicionais de infância, docência e planejamento escolar. O projeto emerge no contexto das enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul em maio de 2024, evidenciando a necessidade de ações intersetoriais junto a crianças em situação de vulnerabilidade, inicialmente em abrigos e, posteriormente, no ambiente escolar. Nesse cenário, o Coletivo Fluir se consolida como espaço de extensão universitária que articula universidade, escola e comunidade, promovendo a coprodução de conhecimento e a construção de respostas coletivas às demandas do território. A ação analisada, intitulada “Entre Tecidos e Histórias”, buscou colocar em diálogo professoras e extensionistas na problematização da organização dos territórios educativos, entendidos como espaços de interações materiais, culturais e afetivas, constituídos por práticas, memórias, saberes e relações. O planejamento coletivo foi orientado por questões geradoras relacionadas à organização dos tempos, espaços e práticas cotidianas, bem como às possibilidades de construção de propostas que dialoguem com os desejos, ritmos e contextos das infâncias. Os resultados evidenciam que a organização dos territórios impacta diretamente as formas de participação e interação dos sujeitos, revelando tanto resistências quanto aberturas por parte das professoras frente às mudanças propostas. Observou-se que ambientes pouco convidativos limitam a interação, enquanto estratégias de aproximação, escuta ativa e estímulo favorecem o engajamento e a co-criação. A reorganização de um espaço escolar, inicialmente marcado pelo acúmulo de objetos, em um ambiente de circulação e interação, evidenciou não apenas uma transformação física, mas também simbólica, deslocando concepções de escola, infância e docência. As tensões emergentes, como a preocupação com a “ordem” e a resistência ao “novo”, indicam a necessidade de processos formativos contínuos que considerem as dimensões subjetivas e culturais do trabalho docente. Conclui-se que a construção coletiva de territórios educativos, no âmbito da extensão universitária, potencializa práticas pedagógicas mais inclusivas, dialógicas e significativas, fortalecendo o pertencimento, a participação e a valorização da diversidade no contexto escolar
Palabras clave:
EDUCAÇÃO INCLUSIVA, EXTENSÃO UNIVERSITÁRIA, TERRITÓRIOS EDUCATIVOS, INFÂNCIA, FORMAÇÃO DOCENTE