Descripción
A educação superior, em contexto de crise global: econômica, social e política, enfrenta desafios que impactam diretamente suas funções de ensino, pesquisa e, sobretudo, extensão universitária. Nesse cenário, as desigualdades estruturais tornam-se mais evidentes, exigindo das instituições respostas mais ágeis, socialmente comprometidas e territorialmente situadas. Este estudo tem como objetivo analisar o papel da universidade na articulação entre resistência e inovação, com ênfase nas práticas de extensão universitária curricularizada (CNE, Resolução nº 7, de 18 de dezembro de 2018) como estratégia de vinculação com o território e de coprodução de conhecimento. A Resolução nº 7/2018 do Conselho Nacional de Educação estabelece as Diretrizes para a Extensão na Educação Superior Brasileira ao determinar que, no mínimo, 10% da carga horária dos cursos de graduação seja destinada a atividades extensionistas, as quais devem estar obrigatoriamente integradas ao currículo, e não configuradas como ações extracurriculares. Além disso, essas atividades devem promover a interação efetiva com a sociedade, especialmente com comunidades externas à universidade, contribuindo para a formação cidadã dos estudantes e para o fortalecimento da relação entre universidade e território. A pesquisa, de abordagem qualitativa e caráter teórico-analítico, fundamenta-se em autores como Boaventura de Sousa Santos, que problematiza as tensões entre a função pública da universidade e as demandas do mercado, e Edgar Morin, que defende a necessidade de reformar o pensamento para compreender a complexidade do mundo contemporâneo. A partir desse referencial, discute-se a extensão universitária como dimensão essencial para a construção de uma universidade socialmente referenciada, capaz de dialogar com diferentes atores, comunidades, movimentos sociais, instituições públicas e organizações locais, em processos de produção compartilhada de saberes. Argumenta-se que, em tempos de crise, a extensão universitária curricularizada assume papel estratégico ao promover práticas de intervenção e colaboração que ultrapassam a lógica unidirecional de transferência de conhecimento. Ao contrário, evidencia-se a centralidade de processos de coconstrução e coprodução, nos quais os saberes acadêmicos e os saberes populares se articulam de maneira dialógica e situada. Tais práticas contribuem não apenas para a formação crítica dos estudantes, mas também para o fortalecimento de políticas públicas e iniciativas voltadas ao desenvolvimento social e territorial. Além disso, destaca-se que a incorporação de tecnologias digitais e metodologias participativas potencializa novas formas de vinculação com o território, ampliando o alcance das ações extensionistas e favorecendo a construção de redes colaborativas. Contudo, tais inovações não devem obscurecer os desafios persistentes, como o subfinanciamento da educação superior e as limitações institucionais que ainda dificultam a integração plena entre ensino, pesquisa e extensão. Conclui-se que a universidade, ao articular resistência e inovação, reafirma seu compromisso com a transformação social, especialmente quando fortalece sua presença no território por meio da extensão universitária. Nesse sentido, a vinculação com diferentes atores sociais e a valorização da pluralidade de saberes configuram-se como caminhos fundamentais para garantir a relevância social da educação superior em contextos de crise.
Palabras clave:
educação superior; extensão universitária; território.