Descripción
Este artigo problematiza a formação de professores a partir de uma perspectiva intercultural, articulando narrativas da vida entre o Brasil e a Guiné-Bissau. Com base na experiência de um estudante de mestrado da Guiné-Bissau no Programa de Pós-Graduação em Educação (PPGE) da Universidade Federal de Santa Maria, é proposta uma reflexão sobre os processos formativos que transcendem fronteiras geográficas e epistemológicas. Inspirado pela abordagem de Marie-Christine Josso às narrativas de vida, o estudo entende que o ato de se narrar constitui um processo de formação pessoal e profissional, capaz de promover a reflexão e a transformação. A escrita é concebida não só como um meio de transmissão, mas como um gerador de conhecimento. Em diálogo com as "escrevivência" da Conceição Evaristo, defende-se uma estética académica mais subjetiva e próxima da experiência vivida, rompendo com os cânones tradicionais que historicamente excluíam as vozes e o conhecimento das mulheres negras, especialmente de contextos africanos. A interculturalidade emerge como uma categoria central para análise, permitindo a construção de pontes entre diferentes realidades educativas. A obra desmonta estereótipos sobre a educação africana, apresentando a organização escolar guineense na sua complexidade, incluindo o modelo de autogestão, onde as famílias complementam financeiramente os salários dos professores. Esta perspectiva contrasta com as políticas educativas brasileiras, como a alimentação escolar universal, revelando desafios e potencialidades de ambos os contextos. O estudo enfatiza a importância das narrativas das mulheres negras na formação de professores. As trajetórias dos educadores que atravessam fronteiras geográficas e simbólicas inspiram a revisão do conhecimento e das práticas, fortalecendo itinerários de formação plurais, contínuos e abertos para as experiências daqueles que transformam a educação com coragem e coletividade. A investigação contribui para o debate sobre a universidade como espaço de produção de conhecimento comprometido com a democratização e inclusão, questionando mitos meritocráticos e xenófobos que persistem no ensino superior. Mostra como as políticas de expansão universitária, ao incluir estudantes de regiões historicamente desfavorecidas e de outros países, tensionam e enriquecem os processos de formação, exigindo novas epistemologias e pedagogias mais dialógicas e interculturais
Palabras clave:
Formação de professores. Narrativas de vida. Interculturalidade. Guiné-Bissau. Ensino superior