Descripción
O texto analisa a articulação entre a BNCC e a BNC-Formação Inicial, evidenciando como essas diretrizes consolidam a Pedagogia das Competências e o ideário do pragmático sob forte influência do setor privado. A crítica central, fundamentada na Pedagogia Histórico-Crítica (PHC), recai sobre a Resolução CNE/CP nº 02/2019, que promove um esvaziamento teórico e político da docência ao priorizar uma racionalidade técnica e instrumental. Essa estrutura divide o currículo em grupos que revelam um desequilíbrio formativo: enquanto o Grupo I, voltado aos fundamentos científicos, históricos e filosóficos, é comprimido para apenas 800 horas, o Grupo II sofre uma hipertrofia, destinando 1.600 horas — metade da carga horária total — exclusivamente ao domínio dos conteúdos e competências previstos na BNCC. Essa organização subordina a licenciatura à educação básica, transformando a formação superior em um treinamento pragmático focado no "saber fazer" e na resolução de problemas imediatos, o que converte o professor em um técnico executor de tarefas em vez de um intelectual crítico. Segundo a análise, essa reforma afasta o ensino do conhecimento clássico e sistematizado para moldar trabalhadores adaptáveis às demandas do mercado e do capital. Em última instância, o texto argumenta que tal modelo pedagógico representa um recuo que prejudica a formação humana integral, defendendo a retomada da educação como instrumento de emancipação da classe trabalhadora por meio do acesso ao saber universal e da valorização do docente como mediador robusto do conhecimento. Em última análise, a articulação entre a BNCC e a BNC-Formação Inicial representa um recuo teórico e pedagógico que subordina a escola aos interesses imediatistas do mercado. Ao converter o currículo em um conjunto de competências e habilidades pragmáticas, o Estado promove o esvaziamento dos conteúdos clássicos — científicos, artísticos e filosóficos — que são as ferramentas indispensáveis para que a classe trabalhadora compreenda e transforme a realidade social. Sob a perspectiva da Pedagogia Histórico-Crítica, a formação docente não pode ser reduzida a um adestramento técnico de 1.600 horas focado na execução de manuais. Pelo contrário, a superação da precarização educativa exige a retomada do professor como um intelectual fundamentado, capaz de mediar o acesso ao saber sistematizado. Somente através de uma escola que priorize a transmissão do conhecimento universal em sua totalidade será possível formar indivíduos omnilaterais, dotados de consciência crítica e preparados para enfrentar a lógica de exclusão imposta pelo capital.
Palabras clave:
FORMAÇÃO DE PROFESSORES; PEDAGOGIA HISTÓRICO-CRÍTICA; BASE NACIONAL CURRICULAR-FORMAÇÃO INICIAL